Brasil – didgeridoos de papel


I was very happy to find out that Rafael from Yajé Arte used the paper didgeridoos technique in his hometown São Paulo, Brasil.
Rafael is a growing didgeridoo professional and he has been pushing a lot for the growth of the didgeridoo in Brasil.
Thank you for sharing this text and images Rafael!

“Desde que comecei a tocar e produzir didgeridoos minha principal vontade era fazer com que o instrumento chegasse a todos aqui no Brasil. É um pouco difícil difundir um instrumento pouco conhecido. Mas para isso existem várias formas de se alcançar a grande massa e os mais necessitados e com pouco acesso a cultura e música.
Quando vi o projeto do Rodrigo Viterbo (amigo de Portugal), de construção de didgeridoos feitos com rolos de papel higiênico com as crianças, vi que era possível alcançar todos. Pois este é um material que todos utilizam, sem exceção. Além de ser um projeto sustentável e reaproveitável, ele faz com que as crianças interajam entre si e se foquem no que estão construindo, além de um instrumento, um mundo melhor, um mundo ecologicamente correto e sustentável.
Neste sábado passado dia 26/10, tive minha primeira experiência com este projeto.

Eu moro em São Paulo, o banco financeiro do Brasil, onde toda grana do país circula mas ninguém a vê. E mesmo com toda grana que rola aqui, temos muita pobreza em vários lugares, a cada esquina. Na cidade de Barueri, ainda no estado de São Paulo, há aproximadamente 1h30 de onde moro, existe uma escola municipal que cuida de crianças carentes. Crianças que realmente não tem condição nenhuma. Geralmente família com problemas de drogas, entre outros. Katia Reis, amiga que é fotografa e mora em Barueri, dava aulas nesse colégio há alguns anos, mas continua promovendo atividades culturais por la. Ela me convidou pra realizar alguma atividade com o didgeridoo no espaço e na hora pensei no projeto dos rolos de papel higiênico. Avisei ela e de imediato pediu para as professoras e os alunos guardarem rolos de papel higiênico, com 1 mês de antecedência. Eu já havia guardado muitos rolos por meses, e levei os que aqui estavam.
Quando estava chegando na escola algumas crianças estavam chegando ao mesmo tempo, e a coisa mais gratificante – e primeira boa impressão – foi ver as crianças chegando com sacolas cheias de rolos de papel, pois pensei que nenhuma delas fossem guarda-los.
Entrei na escola e me deparei com uma super estrutura que nunca pensei encontrar em uma escola que cuida de crianças carentes. Além de terem guardado vários rolos de papel, eles tinham todos materiais a minha disposição, quilos de cola branca, rolos de fita crepe, revistas e jornais pra colagem, pincéis, tesouras, enfim toda estrutura necessária para poder realizar a oficina de construção de didgeridoos.
Chegamos, conhecemos o espaço e as crianças, algumas quietas demais, outras muito agitadas, e umas que, visivelmente, tem problemas sérios em suas vidas. Falta de apoio familiar, etc.
Comecei contando a famosa lenda aborígene do didgeridoo, falei um pouco do instrumento, de onde vem, como se toca etc.
Depois começamos a brincadeira, expliquei como iríamos fazer o instrumento e eles acharam aquilo mágico. Levei dois instrumentos prontos de papel e um de piteira para eles saberem como é o Didgeridoo. Começamos a construção, fizemos duplas pra um ajudar o outro na construção e pra que interagissem entre si. Percebi muitas crianças com dificuldade, e muitas com MUITA facilidade. Ver o sorriso e ansiedade no rosto de cada um foi a coisa mais maravilhosa que já me aconteceu na vida como tocador de didgeridoo. Todos ansiosos pra tocar seus didgeridoos. Aquele sonho desde o começo, de espalhar a cultura está apenas começando e começando de uma forma humilde, simples e muito amorosa. Depois que terminamos e colocamos ao sol para secar, as crianças foram almoçar. Em questão de 1h ou menos, os didges já estavam secos e sentamos para aprender a tocar. Foi muito divertido ver todos tocando, e todos eles queriam tocar no didge de piteira também, hahahhahahah.
Foi divertido. Mas depois as crianças estavam muitos agitadas e um deles, o mais elétrico, começou a zoar os outros e fizeram uma luta com os didgeridoos, não todos, mas pelo menos 3 ficaram sem didgeridoos. Mas valeu e muito essa experiência.
O que tiro de tudo isso é que existem muitas formas de espalhar cultura, arte e música. E acho que devemos começar isso por baixo, ou seja, por aqueles que não tem acesso a esse tipo de cultura. Pois ai conseguiremos mais visibilidade em todos aspectos, musicais, sociais e humanitários.
Agradeço a todos aqueles que me inspiraram e fizeram isso acontecer.
Gratidão.”

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