Encontros de Didgeridoo em Lisboa – Dezembro


É já dia 10 de Dezembro o próximo encontro de didgeridoo na Crew Hassan.

A pedido de muitas famílias vou voltar a passar um Cd com didgeridoo tradicional e desta vez quero ver mais gente na sala a ouvir! Depois vou tentar criar condições para dinamizar uma jam de didgeridoo com som amplificado, mas uma jam semi-organizada: sem grandes pretensões vamos experimentar tocar em dueto e em trio, com didgeridoos afinados ou à aventura, ver que coisas saem quando várias pessoas constroem um ritmo e outras experiências que tenho andado a pensar e a desenvolver a partir de algumas ideias de participantes nos encontros.

No fim haverá projecção de mais um pequeno filme sobre didgeridoo, no mês passado era essencialmente sobre os Yidaki, didgeridoos tradicionais do Nordeste de Arnhem Land, este que vou levar agora é feito pelo criador do Didjeribone, o Charlie McMahon e incide especialmente nos Mago, os digeridoos tradicionais do Noroeste de Arnhem Land. Em princípio vou levar o meu Yidaki e o meu Mago e é possível por lá esteja outro Yidaki acabadinho de chegar a Portugal em Fá, um instrumento excelente, parabéns ao Rodrigo (não sou eu claro!) pela compra.

Um brevíssima explicação das principais diferenças entre Mago e Yidaki:
O fenómeno “térmitas que roem troncos de eucalipto” acontece por toda a Austrália mas só em Arnhem Land, no topo norte, é que o didgeridoo é instrumento tradicional dos aborígenes.
Devido a factores naturais de eco-sistema ocorrem diferentes tipos de árvores na zona Oeste e na zona Este de Arnhem Land. Daqui resulta que as cavidades deixadas pelas térmitas na zona Oeste são essencialmente cilíndricas e as da zona Este essencialmente cónicas. Deste brevíssima e superficial explicação conclui-se que os didgeridoos resultantes de cada uma das zonas respeitam estas formas.
Um didgeridoo essencialmente cilíndrico de cerca de 1m10 tem um som rápido (habitualmente Fá, Fá sustenido ou Sol) e uns toots mais difíceis de tocar por estarem muito distantes do drone.
Um didgeridoo essencialmente cónico de cerca de 1m50 tem (dependendo muito dos diâmetros do bocal e bell) habitualmente afinação em Mi ou Fá mas com os toots muito mais próximos do drone e fáceis de tocar.

Resultado:
No Noroeste de Arnhem Land os aborígenes chamam os seus didgeridoos de Mago e tocam ritmos que quase não utilizam os toots.
No Noroeste o didgeridoo é chamado de Yidaki e o toot faz parte das composições pessoais de quase todos os músicos.

Claro que existem excepções e variações nestas regras, claro que existe a verdadeira música de fusão (no centro de Arnhem Land tocam didgeridoos parecidos com Yidakis, menos cónicos, com ritmos de Mago mas com toots! mais fusão que isto não há, é o melhor de dois mundos) mas não deixa de ser interessante verificar tão facilmente como a paisagem, a natureza que nos rodeia influencia a nossa cultura.

Fico então à espera que voltem a aparecer em mais um encontro e que tragam mais gente convosco.

Ainda não tenho fotos do anterior para divulgar, peço desculpa….

Um grande abraço
Rodrigo

Combinações, boleias e discussão sobre os encontros em: http://forum.apdidgeridoo.pt/viewtopic.php?f=5&t=356

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